Você é do Bem e quem discorda de você é do Mal - MyPixeland
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Em dias de polarização – palavra muito usada no Brasil dos últimos tempos – o assunto bem contra o mal, luz versus sombras, paraíso ou inferno, “petralhas X coxinhas” está mais do que em pauta. O chamado politicamente correto volta ao centro das nossas discussões e é comum vermos pessoas atacando-se mutuamente por suas posturas políticas ou opções ideológicas. Seja sincero: você pensa que o bem é o que você acredita e o mal é a crença dos outros?

Para entender o quão profunda é esta questão, precisamos nos remontar ao nosso conceito de bem e mal, que surgiu por influência da igreja católica romana. Provavelmente você já ouviu falar na Inquisição, movimento desta mesma igreja, que surge a partir do século VII na França com objetivo de evitar o crescimento e a co-existência de outras crenças que não fossem as de origem cristã.

Um exemplo foi o que os religiosos fizeram com as divindades do panteão Wicca, religião primordial europeia que pregava a crença num deus-mulher, “a deusa”, e em seu consorte, o aspecto masculino representado pelo deus Pã, uma espécie de bode bípede que possui dois chifres. Durante a Inquisição, as sacerdotisas foram consideradas  pecadoras, adoradoras de satã e queimadas nas fogueiras. Quanto ao deus Pã, este perdeu o posto de deus wicca e foi transformado na figura do próprio diabo. Vale lembrar que satanás e diabo são figuras criadas pela mitologia judaico-cristã.

Você deve estar questionando o real motivo deste artigo. Calma, nós vamos explicar! Entender o conceito de bem e mal nos ajuda a ter uma visão mais equilibrada e mais real do mundo. Olhar o que é diferente por meio de um conceito pré-concebido, é perpetuar o preconceito e as lutas por espaço. Será que o fato de alguém discordar de mim significa necessariamente que eu tenho um inimigo? Não podemos discordar e ainda assim coexistir sem ataques, nos respeitando mutuamente?

Tentemos lançar um olhar amoroso para tudo o que é diferente. Entender que luz e sombra, bem e mal, são escolhas que todos nós fazemos todos os dias. E que estamos longe de ser anjos ou demônios.

Somos, acima de tudo, humanos e capazes de atitudes legais e altruístas mas também capazes de cometer atrocidades, desonestidades e violência. Quando abdicarmos de conceitos tão fechados e maniqueístas (deus de um lado e o diabo do outro), talvez estejamos abrindo espaço para construir um mundo mais tolerante, mais plural e melhor para todos nós. Um mundo que, parafraseando o grupo Jota Quest, “seja fácil, extremamente fácil pra você e eu e todo mundo cantar junto…”

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